segunda-feira, abril 23, 2007

Na viagem à Croácia


As estradas eram veias abertas, rasgadas. Onde a poeira misturava-se ao suor pelas janelas abertas do carro. Na paisagem caramelo do outono era o único modo de chegar ao alto da colina. Entre solavancos, subidas e descidas, aos poucos nos aproximávamos ao último povoado. Deixamos para trás 800 quilômetros de estrada, e agora, cansados, ansiávamos pouco. Não queriamos banquetes, nem grandes acomodações. O organismo chamávamos à coisas mais urgentes.
Nosso primeiro anfitrião foi um simpático cachorro preto de olhos escuros e meigos. Depois vieram as galinhas e o galo. Todo aquele arredor era como se estivesse entrando em uma poesia bucólica do século XIX. Maravilhosamente bem, era o meu estado de espírito. Sentia-me parte de tudo, mesmo tendo crescido em praia e em uma paisagem tão distante desta. Mas ali tinha um qualquer coisa de familiar.
O almoço estava servido, as camas arrumadas, e o banheiro... o banheiro era perfeito.

sábado, abril 21, 2007

Uma ponte de vida


Duraram poucos minutos, enquanto a tosta mista derretia na prensa. Ela começou a contar dos seus dois filhos, da mãe já falecida, do marido que foi para as tropas em Angola. Eu ouvia todas aquelas histórias com um misto de surpresa e contemplação. "Eu trabalhava em confecção, mas depois do 25 de abril fechou e fiquei desempregada. Depois comecei a lavar pra fora, tudo na mão mesmo. Aos poucos comecei a fazer algumas horas aqui no bar e já estou aqui pra mais de 20 anos", contava orgulhosa e sorridente. Lamentou-se somente não ter tido mais filhos por causa do período difícil do desemprego. "Casei nova, com 19 anos, mas nem por isso digo para as pessoas não casarem", em resposta ao senhor que pouco antes dirigiu-se a mim dizendo "não cases nunca". Desconhecia o motivo do seu comentário desencorajador, até porque, pensava, agora é tarde demais. Sentia-me realmente lisonjeada pela confiança que aquela jovem senhora tinha por mim. Naquele momento eu era alguém como ela, alguém de casa, que conhecemos há anos e a quem podemos contar particulares de vida no simples ato de compartilhar e doar um pouco de experiência e humanidade. E enquanto ela falava, as perguntas mentais surgiam como fungos. Como foi que chegamos a este grau de proximidade vendo-nos apenas nas minhas 6 horas de trabalho por semana, porém de um ritmo avassalador? Quando foi que esta ponte foi construída? Estava literalmente extasiada e estranhamente feliz. Segundos de silêncio. "Menina, acho que minha tosta está pronta". Sorrimos com olhares cúmplices. Eu fui entregar a tosta e ela desapareceu atrás da máquina de café.

quarta-feira, abril 18, 2007

O estereótipo do croissant de queijo

Foi enquanto eu cortava o croissant que comecei a prestar mais atenção aos meus gestos, ao meu modo de pegar a faca, de passar a manteiga, de selecionar quais fatias de queijo cabem em cada tamanho, de não cortá-lo até separar as duas fatias. Prefiro assim, para que o queijo não transborde por todos os lados quando o calor da prensa fizer o seu trabalho. Adoro aquele perfume, de queijo fundido no croissant quente. Não qualquer queijo, alguns têm cheiros muito desagradáveis quando derretidos. Eu gosto é de queijo lanche, cortado em fatias médias.
"Aquecido", "cortado", "no prato", "inteiro", "frio", "com uma fatia de queijo", "grande", "pra levar", "pequeno", "muito quente", "só um bocadinho"... são as possibilidades. E cada um quer de um jeito. Um croissant não é igual ao outro. Mesmo o ritual de escolher é diferente, "maior", "menor", "mais branquinho", "mais assado". Para as mulheres costumo escolher os menores e mais branquinhos. Uma associação à delicadeza, suavidade. Aos homens os bem assados e grandes. Incrível como os estereótipos estão presentes também nas nossas pequenas escolhas. Escolho o croissant, corto, separo as fatias de queijo que já estão grudadas devido ao calor, ajeito no croissant para que não transborde e coloco na prensa. "O próximo por favor!"

quarta-feira, abril 04, 2007

Pascoa sinistra...


Vim passar a Pascoa aqui em terras macarronicas, alias, deveria escrever este post no outro blog mas estou com preguiça de mudar agora. Enfim, estava dizendo, vim para Italia passar Pascoa com a idéia genial de passar 2 dias ao mar. Maior fria! Literalmente. Ja peguei neve, frio, chuva, vento de cortar a pele... sinceramente, me transferi para Europa de idiota. Passo maior trabalho com o frio, nao aguento mesmo. Minha querida amiga Ane adora o inverno, diz que as pessoas sao mais bonitas, melhor arrumadas. Até pode ser, ainda mais minha querida Ane que é sempre chiquerrima em qualquer estaçao, mas os meros mortais como eu... aiaiai é frio demais. Ainda é ver para crer, "sera que vai dar praia?".... "se nao chover!"

Vou curtindo vinhozinho e cobertor de orelha por enquanto.

Beijos e boa Pascoa com os ovinhos congelados :P



segunda-feira, março 26, 2007

Jornalistas de Ph neutro

O poder
"Quando você o tem, é preciso prudência.
Quando não, é preciso o dobro."

Quando um não quer, dois não brigam... acho que é muito mais profundo do que isto.
Nem sempre temos o controle da situação e muitos são os fatores que nos levam a descompensação.


Entender um conflito é sempre tarefa árdua. Contextualizar os atores, entender os motivos, ponderar com o mesmo peso os dois lados. Tarefa não fácil para qualquer pessoa, e mais significativa ainda para um jornalista. O tal "serviço público", a tal "neutralidade". Até quanto conseguimos nos despir dos nossos preconceitos buscando alcançar um relato fiel deste retrato da realidade que publicamos? Qual o grau de humanidade que temos de abdicar para sermos considerados "jornalistas de Ph neutro"?

quinta-feira, março 22, 2007

Tenham um bom dia!

Mantenha seus pensamentos positivos
porque pensamentos
tornam-se suas palavras.
Mantenha suas palavras positivas
Porque suas palavras
tornam-se suas Atitudes.
Mantenha sua Atitudes positivas
porque suas Atitudes
Tornam-se Hábitos.
Mantenha seus Hábitos Positivos
porque seus Hábitos
tornam-se seus valores
Mantenha seus valores positivos
porque seus valores...
tornam-se seu Destino



(Gandhi)

quarta-feira, março 21, 2007

Quotidiano

Para trabalhar bem é preciso confiança, tranquilidade, dados disponíveis, pessoas acessíveis, paz de espírito. Talvez muitas outras coisas, mas com essas eu consigo realmente me sentir realizada quando estou produzindo alguma coisa.


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Já tenho orientadora para minha tese! Estou muito feliz!


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Filosofia de mãe:


"Se não quer ficar de mau humor não deixe as tuas roupas pelo lado avesso"


Talvez tenha fundamento. Ontem a camisola ficou virada e eu tava péssima, hoje lembrei do conselho e deixei pelo lado certo e as coisas estão indo maravilhosamente bem! Coincidência? Pode ser...


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Filosofia de filha:


"Mãe quase sempre tem razão, mas o difícil é dar o braço à torcer!"


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Páscoa na Itália e Croácia. Entusiasmante!

Mas vou tentar fazer uns contatos para minha tese.

Unir o útil ao muito agradável.

terça-feira, março 20, 2007

Up and Down



E quando vemos que as idéias estão surgindo mas tem sempre alguém para te puxar pra baixo? Nada melhor que abandonar os cotonetes e criar uma boa camada de proteção contra o pessimismo. Confesso que normalmente me encontro do lado pessimista, mas quando sinto o gosto do meu próprio veneno sinto como uma mola propulsora empurrando minha tendência "dark side of the force".


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Alerta vermelho! Não me irritem!


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Up: minhas idéias para o futuro.
Down: minha antipatia e pouco receptividade para novas pessoas.


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Tenho muita resistência ao novo. Novas pessoas na minha vida. Combato, sou antipática, pouco acolhedora. Que coisa triste isso! As pessoas precisam ser muito persistentes para conseguirem entrar no meu mundo. O que é pior, reclamo tanto que ninguém me procura, mas é óbvio! Quem é que procura uma que está sempre reclamando...

quinta-feira, março 15, 2007

Comunicação social integrada: um casamento ao feminino!


Acompanhando as discussões sobre a pesquisa em Jornalismo que acontecem dentro da universidade ouço sempre os mesmo discursos. Que existem poucas pessoas empenhadas em estudar o Jornalismo, poucos dados, poucas análises. O que vemos são trabalhos que mordem as beiras mas não tocam o miolo. Mas o miolo da questão, qual é? Acho que responder a pergunta: o que é jornalismo? é tão complexa quanto perguntar de onde viemos. Fora os discurso cósmicos, metafísicos ou transcendentais, o Jornalismo tal como tem se apresentado hoje, precisaria ser analisado por psicólogos tamanha é a confusão mental e a crise de identidade dos próprios pesquisadores-jornalistas. Uma esquizofrenia, um tentar ser algo que não se é, ou melhor, acreditar seriamente que estamos prestando um serviço público mas na realidade estamos é cada vez mais embaixo das asas do departamento comercial. A promoção da interdisciplinaridade na área da comunicação social nunca foi tão levada a sério como hoje em dia com o casamento do jornalismo com a publicidade, onde quem manda é a mulher!

sexta-feira, março 09, 2007

Iluminação!

Acho que começo a ver alguma salvação para as minhas idéias que boiavam neste oceano de possibilidades acadêmicas. Me sinto motivada, quase aliviada mesmo sabendo que tem muita estrada pela frente! Ainda tenho muita coisa para verificar, debater, excluir.... mas vai nascer!
Beijos

quinta-feira, março 08, 2007

Dia M

Ausência total
Mulher parcial
De poucos amigos
De muitos temores
Menina crescida
Mulher infantil
Quem és tu neste espelho?
Quem reflito não vejo
Peguei carona com o vento
Imperfeito, quente, traiçoeiro
Parei além da terra esperada
Piso agora areia de outra estrada
Vida confusa, vida de negativo
Um rolo de filme preto, no branco
De perguntas sutis
De olhares invasivos
Ainda consigo ver a meta
Mulher, cabeça ereta
Luz, de novo, novo vôo